toca jazz e chove. aqui sempre chove. quando nao chove e eu preciso de chuva, eu simulo. este texto deveria prestar um agradecimento às pessoas que criaram sites que simulam chuva.
obrigado.
toca jazz e chove e tem café novo. sem açúcar. amargo como eu.
o cheiro do café é exímio. quase uma obra de arte. a fumaça já é fraca saindo da xícara o que significa que em poucos minutos esse café não servirá mais e eu precisarei fazer outro café. outro café. outro café.
a quanto tempo será que estou ouvindo musica e barulho de chuva e tomando café.
confiro o relógio.
são oito horas da noite e eu tenho certeza que não podem ser oito horas da noite.
há chuva e café e silêncio e não são oito horas da noite.
o relógio marca nove horas da noite. mais jazz. mais café e a mesma sensação de que o tempo está adiantado. nao algumas horas. mas alguns anos. me sinto as nove horas da noite daqui a noventa anos. considerando a idade que já tenho minha afirmação fica ainda mais precisa. parece que são nove horas e que eu estou morto. pelo menos é o que parece.
o toca discos pára de tocar. penso em levantar para virar o disco. penso em te ligar. penso nas coisas que vou comprar quando tiver dinheiro.
quanto tempo será que faz desde a ultima vez que eu tomei banho ?
quanto tempo será que faz desde a ultima vez que sai desse quarto e fiz algo além de tomar café e ouvir música e pensar em você.
o café esfriou e eu esfriei junto com o café. já não toca mais nada. só a chuva e o barulho das caixas de som zunindo. pedindo por um som. me lembrando que o toca discos ainda está ligado. não vou virar o disco. desculpa.
domingo, 8 de janeiro de 2012
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