ao som de imaginary you
para variar chove. os mosquitos sobrevoam a pouca luz do computador. alguns me picam. sinto coçar. não coço. se não fosse pela digitação não estaria me mexendo. para variar chove. dessa vez não há café. nem você. nem nada. só chuva. e uns clarões. raios dentro do mar. é. estou numa casa que dá para ver o mar da janela. quer dizer. de dia da para ver o mar da janela. hoje, por estar chovendo muito o mar fica visivel pelos clarões dos raios. gostaria de poder dividir mais dessa cena. mas nem estou aproveitando tanto essa cena.
o barulho de chuva aperta. quanto mais barulho de chuva mais silencio. imagino voce ou imagino que imagino voce. no momento meio que dá no mesmo. talvez voce gostasse de assistir os raios comigo. o céu aqui é sempre muito escuro nessa época do ano. deve fazer quase um mês que não vejo a lua. não consigo achar a lua. não da minha janela.
chove. sempre chove. a constante faz com que todos os textos pareçam o mesmo texto. sutis mudanças. sutis como a diferença entre os pingos de chuva. um raio forte. o céu inteiro fica lilás. o mar brilha. a imagem é linda. o barulho de chuva diminui. o silêncio aumenta. o silêncio sempre aumenta.
não há medo. não há nada. da janela dá para ver as luzes da orla da praia. as luzes da orla da praia e os raios e o silencio. dá pra ver o silencio dentro das casas com suas luzes apagadas. e o barulho dentro de outras casas com suas televisoes ligadas. agora são dez horas. mas ainda parece que são nove horas e ainda parece que são oito horas. e ainda parece que tudo isso é um texto só.
a chuva parou. pelo menos do lado de fora. aqui dentro ainda chove. cada vez mais forte. há raios. raios fortíssimos e silêncio. não há trovões. só raios. raios e chuva e silêncio.
e são dez horas e eu não sei onde você está.
só há chuva.
chuva e silêncio.
domingo, 8 de janeiro de 2012
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