segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
a casa está como sempre silenciosa. coloco sua foto do meu lado. inspiração. a solidão dessa madrugada é impressionante. sinto falta da sua voz do outro lado da linha no telefone. sinto falta do seu rosto aparecendo na tela do meu computador e do seu sorriso. passo o olho por algumas fotos. alguns textos. escolho bem a música. escolho tão bem que parece que não estou colocando a música só para mim. ela começa a tocar. não era a música que eu queria ouvir. aparentemente fiquei uma eternidade escolhendo uma música que eu não queria ouvir. dou uma olhada ao redor como se procurasse algo para fazer. não há nada e não há sono. uma dose de anestésico cobre o ar deixando o ambiente mórbido. tudo aqui é cinza. cinza e madeira. acendo um cigarro. o apoio na boca e pego a xícara nas duas mãos. ainda há um resto de café bem no fundo. começo a balançar a xícara. o café dança dentro da mesma. tento seguir o ritmo da música. canso de brincar com o café. de relance tenho vontade de tacar a caneca na parede e acompanhar o espetáculo. olho mais uma vez pra sua foto. sorrio. por um momento o vazio fica menos vazio. volto a encarar o computador. nada. absolutamente nada. repasso todas as abas. atualizo as redes sociais. posto mais alguma coisa sem esperar resposta. olho para o relógio. lento. parece que desde que comecei a escrever até agora o relógio não andou. como se esperasse eu terminar de escrever. atento. olho mais uma vez pra sua foto. é. penso. acho que vou te acompanhar e ir dormir.
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