O trabalho é sempre corrido. Desesperador vai-e-vem desde as oito horas da manhã. O telefone toca insensível, incessante. Não da para relaxar. Ainda não foi ensinado como se pára o mundo, só por um ou dois segundos, só para dar um suspiro mais demorado, outro trago no cigarro, outro beijo e mais um tchau.
Nem se da tempo para o "eu te amo" sair menos engasgado, pro "eu também" ser ouvido. Fica tudo muito imaginado num ritual onde o " 'brigado', bom dia." vem numa palavra só e você já sumiu e é o "próximo" que assume seu lugar numa correria louca.
E tudo isso porque são oito e dez da manhã e você tem a impressão que já trabalhou todos os singelos oito turnos semanais contando as reuniões e tudo mais. Na verdade se passaram dez minutos. Ferozes como se fossem dez anos ou mais e você perplexo com a quantidade de vozes tão diferentes mas aceleradamente tão iguais que você escutou nos últimos quarenta e cinco segundos. E ainda é segunda feira e faz apenas duas horas que você está de pé, ainda com o gosto do café na boca e o cheiro de domingo no cabelo. Um sorriso de canto de rosto se der tempo lembrando daquele momento mais romântico na porta de casa. Milésimos de segundo perdidos pensando no dia anterior e você já está atrasado. Acabou a hora do almoço e a correria (que nunca parou) recomeça. Se é que é possível recomeçar algo que nunca pára. E o fim de semana vai chegar e o fim de semana vai embora. Milhões de pessoas vão ir e vir e vir e vir e vir. E ainda são oito e quinze da manhã. E ainda é segunda-feira.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
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