sexta-feira, 27 de julho de 2012

estranho encontro

Era só um homem, como esses que a gente vê todo dia nas rodoviárias da vida. Com seu uniforme de trabalho, a tradicional camisa branca calça azul sapato, esteja o tempo que estiver e faça o calor que fizer.
 Estava sentado, ele seu caderno e caneta. "Deve estar fazendo contas" - pensei. Sempre nessa ideia de como é corrida a vida e como as pessoas estão sempre ocupadas demais para ter um hobby. Passei por ele como quem nada queria, buscando apenas um quê de escrever. Acontece que o mesmo não fazia contas. Havia encontrado um pouco de si no si mesmo e um pouco de tempo para sonhar. Desenhava! Sim, D E S E N H A V A. Como fazem as pessoas que descobrem um tempo para cuidarem de si. Havia um tigre no papel, com sua presa já abocanhada. E logo me vi tigre, abocanhando minha presa, com pressa e sem dó. Fazendo do papel minhas garras e a boca de caneta. Dilacerei cada pedaço daquele compositor de feras e compuz cada pedaço desse  domador de palavras. Construí ali, junto daquele homem que, dentro do seu lazer nem me percebeu, meu jantar. Hoje como arte com textura e digiro pensamento. Logo ele é atrapalhado. Fico atento a seus movimentos, ele sorri, há um brincadeira, a distração se vai. Ele volta ao papel mas já não tem mais a mesma precisão. Algo se foi junto com aquela pessoa que passou por alguns segundos. Levanta, guarda seu bloco no bolso e vai.

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