Metade do caminho é dado, assim, de supetão. Não se pede nem se espera e, possivelmente, não se está preparado. Mas vem e quanto à isso não há remédio. Deve-se apenas aceitar, no pior dos modos ou no melhor dos jeitos e reclamar sem sossego ou aclamar sem tédio ou destituir sem medo, construir com apego quem sabe até ignorar. Mas que algo deve ser feito, ah! deve ser feito. Nem que seja chorar e fugir. Correr num desespero quase crônico, doentio. ou se entregar sem medo. Abrir a janela do quarto escuro e deixar um pouco de luz entrar de vez em quando, mesmo que machuque os olhos, mesmo que queime a pele, que revele o desconhecido que tanto se teme, a bagunça do quarto. Mesmo que desapegue o sossego, mesmo que desmascare o que foi realidade, há de ser, em algum ponto, bom.
Mesmo que atravesse o Eu, tão dificilmente formado e o parta, deforme. Deixa que tudo se transforma. Deixa que tudo vai como deve ir. Não apressa, mas também não foge. Tô cansado de não viver, você deve estar também. Foram alguns bons anos de muitas fugas premeditadas e agora tamos aí, meio que sem saber existir de verdade no que é de verdade. Levanta a mão umas três vezes e promete que não vai sair correndo quando as coisas complicarem um pouquinho ?
Sim eu sei que é difícil. Sinto muita vontade de sair correndo também. O tempo todo. Mesmo. Mas a gente tem que se controlar nesse pouquinho de existência, fingir que a gente sabe viver um pouco melhor do que a gente sabe de verdade. Se decepcionar mais. Voltar a sonhar. Só pra manter a sanidade mental, só para ter certeza que ainda temos coragem de errar, de quebrar a cara. Essa é a outra metade do caminho, né. A gente não pode ficar andando só metade pro resto da vida. Uma hora a gente tem que ter coragem de sair abrindo todas essas portas emperradas, nem que seja na base da porrada, nem que a gente tenha que ficar horas esmurrando a porta para ela abrir ou batendo desesperadamente enquanto chove do lado de fora até que alguém a abra, assustado com um sorriso. Mesmo que essa porta nunca se abra e você fique desesperado não querendo nenhuma porta além daquela que não abre. Mesmo que não veja mais caminho possível. A gente só não pode dar ao luxo de não fazer nada igual estávamos fazendo. Principalmente eu. Eu e minha loucura incessante, minha paranoia, minha vontade louca de inexistência... Não fica parada aí, vamos dar uma volta no lago, acampar, correr. Não fica parada aí e não me deixa parado aqui, porque tá começando a cansar as pernas essa coisa toda de não fazer nada nunca.
sábado, 28 de julho de 2012
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