sexta-feira, 12 de julho de 2013

responsabilidades

Detesto acordar com o telefone tocando e tem uma caralha de coisa pra fazer hoje. comer arrumar a mochila procurar uma papelaria, tenho que comprar tintas que meu pai pediu no telefonema que me acordou. preto, azul celúrio, verde inglês (normal e claro) e violeta escuro. não faço ideia de onde tem uma papelaria e tenho que correr pra faculdade pra almoçar, porque o restaurante universitário, vulgo bandejão apelidado carinhosamente de bandeco fecha as duas e são uma e alguma coisa e estou ouvindo a mesma música de ontem a noite e você acabou de me dar um tchau numa dessas redes sociais da vida especificamente o facebook e eu não disse tchau porque eu acho que o tchau é uma palavra muito específica que denota finalização. como se aquele encontro tivesse acabado e na próxima talvez vez que nos virmos um novo encontro começaria. por isso uso até. "até a continuação desse encontro". tenho um medo lapidar de que as coisas acabem se partam terminem sem que se possa fazer nada. fica aquele ar horrível que não se aproveitou tudo. por isso mato aula pra ver o por do sol e por isso espero o sol nascer pra ir dormir. acho que esses momentos são importantes e não deveriam ser perdidos. descobri também que ver o nascer do sol com sono é muito mais gostoso do que acordar pra ver o sol nascer e que a noite deveria ser mais povoada na escuridão. a noite é muito mais aconchegante promissora carinhosa e acolhedora que o dia. mais perigosa e mais promiscua também mas não existem polos totalmente positivos.
 e eu ainda estou com todas as conversas que a gente ainda não teve na cabeça e parece que eu sei tanto de você e tanto da gente e na verdade, se alguém me perguntar por acaso, eu não sei nada. só sei que você chegou de repente e saiu bagunçando tudo e cantando Legião Urbana e tendo uma presença ímpar e agora parece que você saiu correndo por todos os cantos, se despedaçando e eu te encontro em todo lugar e se bobiar eu nem sei como escreve o seu nome, mas você me convidou pra ir no museu um dia qualquer e pra mim já está bom demais.
   Sinto cheiro de farofa. podia ter farofa no bandeco hoje, ia ser uma alegria. arroz feijão e farofa. para começar uma sexta feira de sol (não sei se está sol de verdade, mas admito que esteja) arroz feijão e farofa é uma combinação mais que agradável. hoje é dia de viajar novamente, pegar o ônibus, dormir ouvindo música... Putz! tenho que colocar música no iphone ipod tablet whatever para escutar durante a viagem e separar os textos que tenho que ler porque tem prova na segunda feira e carregar o celular e ainda tenho que desligar o notebook e colocar tudo isso na mochila e ir comer e ir no centro procurar uma papelaria para comprar as tintas pro meu pai e ainda to aqui sentado pensando em como é bom conversar com você. e a vontade é continuar escrevendo um texto infinito até que apareça na outra aba do Chrome que você me mandou uma mensagem dizendo que tinha voltado e eu espero que você não repare que eu fiquei ansiosamente esperando e nem saí. mas o dia tem que começar e pra isso tenho que me mexer e largar você um pouquinho, porque eu já desconsiderei que você foi embora primeiro e que você disse tchau, que é quase um adeus mas não é tão pesado e que você só vai ficar aqui mais 10 dias que eu sei que não são 10, são quase 20 mas eu sou exagerado e carente e atencioso e tímido e despreocupado e preguiçoso e sorridente e às vezes gosto de me sentir como se tivesse 11 anos de idade e o mundo fosse ainda um lugar fantástico onde a gente não sabe de nada. e sinto pena das pessoas que se esforçam para ser adultas e não conseguem mais intender como é divertido ficar pulando onda, catando conxa, assustando pombo, fazendo castelinho de areia, brincar de boneco de boneca de casinha de cozinha de médico apesar d'eu ter medo de médico... porque o mundo vai tirando da gente essa coisa gostosa que é poder se deixar poder ser criança só um pouquinho  porque alguém contou pra gente que a gente ia fazer dezoito anos e ia ser adulto e a gente achava que ser adulto era ter todo o dinheiro do mundo e poder comprar todos os brinquedos e beber aquelas bebidas coloridas corar a cara e falar engraçado igual os adultos fazem. mas ninguém conta pra gente que ser adulto é trabalhar pagar conta morar sozinho se sentir sozinho ver filme ruim na globo de madrugada comendo sorvete e dormir pra acordar cedo pra trabalhar e não ter dinheiro pra nada e não poder sorrir. aí eu penso sobre isso tudo e na verdade tirando a parte de comer sorvete de madrugada eu não quero ser adulto. e acho que ninguém deveria querer ser e a gente poderia ser criança pra sempre e sexta feira ia ser o dia de levar o brinquedo preferido pro trabalho e na quarta a gente ia ter um tempo a mais no horário de almoço pra trocar figurinha do álbum da copa e ninguém ia ter vergonha de assistir desenho ou de não saber fazer alguma coisa e todo mundo ia tentar seu melhor porque o que importa não é conseguir fazer ou não mas é aquela alegria de estar alí, tentando... e dá até pra sentir aquele cheiro de suor de criança, que na verdade eu detesto mas me traz tantas memórias boas da época que eu não precisava pensar em arrumar minha mala.

sobre conhecer pessoas novas

já tava na hora de desistir de se sentir inteiro. cheiro. e querer se despedaçar em outra pessoa. sem mágoa. tava tudo tranquilo demais, calmo demais, insone demais. chovia demais. tava precisando de alguém que mudasse as coisas de lugar abruptamente. e acabasse com os cubos de gelo ou com a coca cola. que abrisse delicadamente a porta da cozinha com um supetão. enquanto eu saía pela sala. que metesse a mão no pacote de cheetos com um soco. e cortasse sem perguntar todas as amarras tranquilizadoras da vida. que me deixasse com vontade de dançar no supermercado. e não pagar a conta. tava na hora de sentir vontade de sair casa e de voltar no dia seguinte querendo sair de novo. pra ficar um pouco mais. e de sentir que tá vivendo. que a vida começou ali, naquele instante. e fazer novos planos. desfazer novos planos ir pra praia e aprender a andar de bicicleta. e se enganar e sofrer e chorar e desistir de novo e talvez quem sabe querer recomeçar ou desaprender a andar de bicicleta. de outro jeito qualquer. ou afundar a cara em sorvete de creme e jogos e falkner. dividir mais cheetos e tirar fotos e ler martha medeiros e compartilhar música boa. e fingir que chama o taxi e querer ir embora mas levar tudo junto. e talvez ir parar no pará ou paraná curitiba bh amazonas acre montreal bahis ou em qualquer outro lugar assim tão estranho e familiar fazer contato por telepatia. contrato por telefone. sentir uma conexão instantânea necessária distinta cósmica pulsante. e precisar pedir conselhos pra quem não sabe dar porque quem sabe dar está estudando biologia dentro do quarto. trancada. fazendo greve. de internet. porque acha que tá perdendo tempo e perdendo iphone. principalmente perdendo iphone enquanto dorme na praia numa noite qualquer porque de repente precisa de um pouco de vida. e viver, as vezes, significa perder o iphone e a internet e o interesse por besouros com chifre.
  e de repente encontrar um pouco de vida virando as coisas num bar mais ou menos num lugar mais ou menos num sorriso mais ou menos e num pouco de música não sei. e querer se vestir melhor e cheirar melhor e falar melhor andar melhor beijar melhor abraçar melhor ser melhor não ser melhor... melhor não saber . Tirar o perfume que adoça a vida de dentro do armário e começar a usar. a se usar. a se deixar usar e viajar e entrar com a calça jeans na água suja da praia de icaraí e achar que tá vivendo uma cena daqueles filmes que ninguém gosta de ver. e acreditar que a qualquer momento vai aparecer orlando bloom. lindo como só orlando bloom consegue ser. e sua vida vai se transformar numa história tão bonitinha quanto "tudo acontece em elizabeth town" e aí voce para pra tentar contar quantas noites já virou no telefone amando e quantas noites já virou amando o telefone. e orlando bloom não vem, mas vem uma onda molhando sua perna e voce volta pra realidade enquanto toca jazz bem lá no fundo da sua alma.

procrastinação

Hoje o dia cheira a despedida mas tem alguma coisa nesse tom bege amarelado que as folhas secas do meu saco de chá de amora, que agora acho que nem sei mais se é chá de amora (as folhas não deveriam estar amareladas), que me diz que houve ou deveria de haver algo que explicasse o porquê todos os dias tem que cheirar a despedida ou roupas sujas, ou resto de cigarro ou insônia e dor de cabeça. E o sol lateja na minha janela e me lembra que a qualquer momento meus pais vão ligar e eu tenho que estar um pouco menos rouco para atendê-los. Não deveria ter ido dormir as seis e deveria parar de comer macarrão três vezes por dia, fazendo milhares de receitas diferentes com os mesmos ingredientes, com o mesmo sabor. Devia lavar a roupa. Devia limpar o quarto. Devia ter juntado um pouco mais de dinheiro. Devia estar estudando mais e, definitivamente, devia jogar essas folhas de chá fora. Não vou fazer nenhuma dessas coisas em especial a última delas porque nesse momento e especialmente nesse momento único essas folhas de amora estão me proporcionando, não só uma péssima reflexão sobre a vida como uma imagem belíssima de como eu ando preocupadamente despreocupado.  Minha blusa ainda tá com teu perfume. Citaria o nome dele, o preço, a loja e a data da última vez que você me disse que precisava comprar perfume, data a qual, acredito eu, foi o dia (ou dia anterior na minha segunda hipótese) que você comprou um vidro novo de perfume. Conhecendo você sei que o processo pode ter demorado mais tempo. Sua preguiça quase se iguala a minha, mas conhecendo você melhor ainda, sei que não sai de casa sem perfume e sei também que detesta ficar em casa.  Não vou dar essas informações. Não vou porque não quero parecer paranóico. Mais que isso, não quero que outras pessoas saibam qual é seu perfume e, propositalmente (ou não) usem para sair comigo, para mexer comigo, para mexer com você.
      Penso se ainda dá pra tomar o chá de amora. Tinha capim limão e earl grey, mas sumiram. Aliás, falando em coisas que sumiram... Sumiu o Pulp!, do Bukowski, sumiu o Construção, do Chico Buarque, sumiu o Cálabár!, também do Chico.... Sumiu o disco azul do Dire Straits, sumiu. Sumiu você. Todxs vocês. Foram caindo aí pelos meus amores... pelas perdas.. Foram caindo e vem caindo. Assim eu vou me guardando um pouquinho em todxs vocês que sentem saudade, que me odeiam, que gostariam de me odiar, mas sentem saudade. E eu odeio e sinto saudade de todxs vocês e de todas as coisas que larguei por aí, que na verdade não fazem a menor falta, mas eu queria voltar no dia que dei essas coisas para vocês e tomá-las de volta, ou melhor, não dá-las. Aí convidar vocês para tomar chá de pêssego, ou café latte e dar de qualquer jeito. porque vocês merecem. Cada umx de vocês merece esses pequenos pedacinhos e todos os pedacinhos e nenhuma de vocês merece nada. Porque a gente não tá aqui na vida discorrendo sobre merecimento e sim sobre vontade de ser eterno. Seja o carinho, seja o livro, seja o ódio, seja o amor, seja o momento seja o meu chá de amora que agora vai ter que ir pro lixo. Não exatamente agora.
Não sei mais sobre o que é esse texto. se é sobre você ou sobre chá de amora, ou sobre esquecimento ou sobre perfume de café ou sobre todas as coisas que são nossas ou sobre Rita.
      Deveria viajar mais. Escutar seus conselhos. Principalmente os seus conselhos. Devia viajar pra ver os amigos, amores, pra ganhar mais abraços e tirar fotos e, quem sabe, conhecer gente como vocês. Principalmente como você. Gente que abraça forte e ama com uma palavra só e tem um cheiro tão bom quanto café fresquinho. E que te fazem rir, por graça ou por vergonha. E que tem cabelos ruivos e mordem o pão de forma fazendo biquinho e sentem um prazer enorme em desaparecer e que fica bêbada e precisa de ajuda e que nunca precisa de ajuda. e que mora em outro país e tem vergonha de falar com você no telefone e que na verdade é homem, mas eu acho muito mais bonitx quando existe como mulher. e que é brancx e está no mato grosso e eu não vejo a mil anos. e que é ney, é entidade. é amor passado e sabe tanto das barbas do bode quanto eu sei. e gente que eu nem amo mais e que raspou a cabeça e mudou de nome e mudou de sexo e esqueceu o sexo e esqueceu o nome e se esqueceu. mas as vezes me liga, ou eu ligo só pra manter um gosto de ante-ontem no bolo quente que saiu do forno. e abraçar mais mamãe. porque eu sei que não importa quantos abraços eu dê as pessoas vão morrer e eu vou achar que não foi suficiente. e vai na praia de noite e muda de estado e me faz rir e me atende as quatro horas da manhã porque eu acabei de ver o filme que me indicou e eu preciso, muito, falar sobre porque eu nao consigo parar de chorar. e eu não consigo parar de chorar mesmo. muito. e que não sabe quando ou não me dar abraços mas sabe me decepcionar como ninguém. gente com pelo lindo e pele linda e boca linda e voz gostosa. que saudade dos seus cheiros e sorrisos e gestos e bocas e mordidas, nem todas as mordidas. e gente que brigou comigo e gente que eu tratei mal...
e eu tenho que lavar o frigobar e estudar pra prova e cortar alho e desligar o microondas que não para de apitar e decidir se eu vou ou não para aula amanhã e ir no banco, contar dinheiro, guardar dinheiro, economizar dinheiro, gastar dinheiro, comprar mais chá. e eu vou sair de casa e vou esquecer de levar  o lixo pra fora.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

mal escrito

eu sinto tanta falta do nosso amor que doi. Sinto falta de passar o dia todo sentado abraçadinho com alguém. De deitar e ouvir música. De ser íntimo, sem precisar se tocar. De te ver todo dia, dividir cerveja, dividir cheiro. Dividir amor. De ficar respirando no seu ouvido, sentado num banco desconfortável. De deitaar com você, de andar de mão dada. De ouvir música. De ser amado e amar sem nenhum compromisso. De não precisar de beijo nem de sexo pra se sentir completo com outra pessoa. Sinto falta desse amor sincero e sem barreiras. Que não impede outros relacionamentos. Sinto falta do carinho de verdade, do sorriso de verdade, do vício de verdade. Sinto falta de sentir falta de você quando você não vem e de esperar os dias que você tá na cidade pra te ver. Sinto falta de voce me ligando, dizendo meu nome, do seu sorriso. Da sua pele branca, do seu jeito meigo... Sinto falta das nossas piadas internas, do tom da sua voz. Do tom da minha voz com a sua, dos nossos Carlton de baunilha, do som da minha voz perto de voce. De como a vida parecia completa, de como eu parecia completo. De me divertir sem fazer nada. De ter no teu silêncio os melhores dias da minha vida.
Sinto falta de tudo que a gente queria ser e tudo que a gente podia ter sido
mas principalmente, sinto falta de todo dia deitar na cama sabendo que no dia seguinte eu ia receber, novamente, o mais sincero de todos os abraços sinceros. E o mais amado de todos os olá amados de todo o mundo.
A gente faz falta pra mim.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

solidão lá de casa



mulher trabalhadêra
acorda as 5 da manhã
pra fazer meu café
ela não toma porque não dá tempo

vai pro trabalho
pede pra sair mais cedo
na pausa do almoço
pra vir fazer o meu
não come porque não dá tempo

volta correndo pro trabalho
trabalha a tarde inteira
igual uma condenada
voltando pra casa
 pega o metro
pra dar tempo de me fazer a janta.
ela não come porque tá sem fome.

dorme cansada
e acorda cansada
vive cansada
 sem falar uma palavra
porque nada precisa ser dito,
porque essa mulher sou eu.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

descaso


eu realmente nao consigo entender.
parece que no fundo
voce nao quer que aconteça
eu nao disse que nao quero
disse que nao sei
que to confuso
porra
se isso nao é o suficiente
pra voce entender
que eu to tentando
mais do que todas as vezes na minha vida
eu realmente nao sei o que falar
o que fazer
na osei
nao sei mesmo.
porra
nao é fácil sabe
eu tenho que pensar cada passo
porque se eu nao prestar atenção
eu esbarro nas coisas
quebro as coisas
por muitos motivos eu nao quero assumir a responsabilidade de machucar alguém além de mim.
mas eu gosto de voce e voce sabe que eu gosto
e eu sei que pode ser legal apesar de tudo
mas isso vai exigir que eu viva de verdade.
que eu me mexa
que eu queira
que eu deseje
que eu faça
que eu viva
de verdade
mesmo voce dizendo que nao
ou fingindo que nao sente minha ausencia quando eu simplesmente esquecer que preciso de voce do meu lado.
nao é fácil pra mim assumir que sou assim
não é mesmo
parece fácil ?
nao sei
porque não é
e é mais difícil ainda
enxergar algo para além disso
meio por medo
mais por acomodação
é muito fácil viver assim
sem precisar dos outros
sem as pessoas terem nada do que eu sinta falta.
e é exatamente assim que eu me sinto
mas não sei até onde isso é verdade.
me magoa quando a gente tá junto e eu vejo que voce está com muito tesão por mim e eu não estou e não é porque é voce
mas é porque eu realmente não sinto vontade de fazer sexo com as pessoas
nao me passa pela cabeça
mesmo.
e não é por medo nem por nada disso. não me passa pela cabeça
eu simplesmente não penso nisso porque nao acho que isso seja importante para mim.
e eu sei que é importante.
assim como várias coisas que são importantes
e eu não dou a mínima
e eu sei que as pessoas ligam, mas fingem que não ligam porque sou eu
porque as pessoas nao gostam ou nao de mim
elas aprendem a lidar comigo
ou me ignoram por completo.
eu nao sei o que quero almoçar amanhã
nem que horas vou dormir
nem como vou fazer o trabalho da faculdade
nem quanto dinheiro tenho no banco
não sei coisas pequenas
decido tudo em cima da hora
meio sem saber como nem porque
não sou adulto ainda.
não sei decidir coisas difíceis
e sinto vergonha de estar em público
a maior parte das vezes
e me escondo atrás de ações que às vezes eu nem gosto.
tipo fumar
pra parecer que sou adult
e sei o que to fazendo
e eu não me dou conta disso o tempo todo
porque nao me dou conta de muita coisa
então, eu realmente não sei
e isso não quer dizer que eu não quero.
quer dizer que eu não tenho a menor idéia do que eu to falando .-

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

reencotros

Há alguns dias atrás te liguei. Queria te chamar para sair, tava com saudade. Não de você, mas de sexo, carinho. Não. Carinho não.  Sexo mesmo. Em todas as instâncias. Visual, tátil, linguístico. Queria fazer sexo com sua voz e seu olhar e sua transpiração. Queria trepar com teu conhecimento e sua forma de falar sobre todas as coisas. Queria gozar no teu sorriso, nos teus fios de cabelo. Arranhar seus pelos, comer teu cheiro. Lamber teu gemido. Te fazer deusa e puta, amada e lixo. Queria ser a melhor e a pior noite da sua vida. Ser o nunca mais que incomoda. O repeteco que arrepende. O nome na lista do celular que voce nunca liga mas que sempre passa o olho quando se sente sozinha. O nome que voce nunca fala, o cara que você odeia desejar e deseja odiar. O que te chama de amor logo depois te trata como vadia. O delinquente, o sujo, o sem valor. o babaca! filho da puta! sem vergonha sem pudor e sem camisinha. A pior e a melhor transa que você já teve. O que você detesta ter mas que já te tem.
  Daí você atende o telefone e eu falo com voz seca como quem não quer nada e você sabe que no fundo eu quero seus peitos na minha boca, mas parece que dessa vez você tá ocupada. Escuto vozes. Deve estar acompanhada. Você diz que está no carro. Não dirige. Presumo carro dos pais. Digo que vou ligar depois. Deixo uns dias passar, você não vai ligar. Gosta de fazer a difícil. Acha que mulher que deve ser procurada. Eu discordo. Dou mais uns dias... ou você não lembra do telefonema ou tá morta de curiosidade e eu sei que tá mas não quero você e você tem que administrar isso. E eu tenho que fingir que quero você para conseguir o que eu quero.
   Devo te ligar na segunda para uma chance na terça. E você sabe que só quero parte de você e mesmo assim você vem com vontade, tímida, mas com vontade. Não da nenhum passo. Não retorna as indiretas nem toma iniciativa. Mas elogia meu perfume e percebe a rigidez marcada no jeans. Morde levemente os lábios. Sugiro vinho você nega. Tá quente mas eu não quero cerveja. Sugiro um lugar mais reservado você pergunta onde. Penso em dizer minha casa. Imagino você pelada na minha cama, os cabelos jogados no colchão, os seios separados. Suas mãos apertando o lençol com vontade. Os olhos fechados mordendo o canto da boca...
  Você ainda esperando minha resposta. Sugiro minha casa, sua expressão facial diz que você é a favor, mas você frequentou aulas de moral e cívica demais para dizer que sim. Você quer me dar mas não quer dizer. Te puxo pra perto, você da como quem não entendeu. Tô meio sem paciência. Não vou tentar de novo. Penso no plano b. Agradeço todos os dias pela criação da internet.
  Você entra no ônibus e eu volto pra casa. Puto. 
 Anoitece. Vejo um pornô qualquer da primeira página de um site qualquer, me masturbo viro para o lado e durmo.