sexta-feira, 12 de julho de 2013

sobre conhecer pessoas novas

já tava na hora de desistir de se sentir inteiro. cheiro. e querer se despedaçar em outra pessoa. sem mágoa. tava tudo tranquilo demais, calmo demais, insone demais. chovia demais. tava precisando de alguém que mudasse as coisas de lugar abruptamente. e acabasse com os cubos de gelo ou com a coca cola. que abrisse delicadamente a porta da cozinha com um supetão. enquanto eu saía pela sala. que metesse a mão no pacote de cheetos com um soco. e cortasse sem perguntar todas as amarras tranquilizadoras da vida. que me deixasse com vontade de dançar no supermercado. e não pagar a conta. tava na hora de sentir vontade de sair casa e de voltar no dia seguinte querendo sair de novo. pra ficar um pouco mais. e de sentir que tá vivendo. que a vida começou ali, naquele instante. e fazer novos planos. desfazer novos planos ir pra praia e aprender a andar de bicicleta. e se enganar e sofrer e chorar e desistir de novo e talvez quem sabe querer recomeçar ou desaprender a andar de bicicleta. de outro jeito qualquer. ou afundar a cara em sorvete de creme e jogos e falkner. dividir mais cheetos e tirar fotos e ler martha medeiros e compartilhar música boa. e fingir que chama o taxi e querer ir embora mas levar tudo junto. e talvez ir parar no pará ou paraná curitiba bh amazonas acre montreal bahis ou em qualquer outro lugar assim tão estranho e familiar fazer contato por telepatia. contrato por telefone. sentir uma conexão instantânea necessária distinta cósmica pulsante. e precisar pedir conselhos pra quem não sabe dar porque quem sabe dar está estudando biologia dentro do quarto. trancada. fazendo greve. de internet. porque acha que tá perdendo tempo e perdendo iphone. principalmente perdendo iphone enquanto dorme na praia numa noite qualquer porque de repente precisa de um pouco de vida. e viver, as vezes, significa perder o iphone e a internet e o interesse por besouros com chifre.
  e de repente encontrar um pouco de vida virando as coisas num bar mais ou menos num lugar mais ou menos num sorriso mais ou menos e num pouco de música não sei. e querer se vestir melhor e cheirar melhor e falar melhor andar melhor beijar melhor abraçar melhor ser melhor não ser melhor... melhor não saber . Tirar o perfume que adoça a vida de dentro do armário e começar a usar. a se usar. a se deixar usar e viajar e entrar com a calça jeans na água suja da praia de icaraí e achar que tá vivendo uma cena daqueles filmes que ninguém gosta de ver. e acreditar que a qualquer momento vai aparecer orlando bloom. lindo como só orlando bloom consegue ser. e sua vida vai se transformar numa história tão bonitinha quanto "tudo acontece em elizabeth town" e aí voce para pra tentar contar quantas noites já virou no telefone amando e quantas noites já virou amando o telefone. e orlando bloom não vem, mas vem uma onda molhando sua perna e voce volta pra realidade enquanto toca jazz bem lá no fundo da sua alma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário