Detesto acordar com o telefone tocando e tem uma caralha de coisa pra fazer hoje. comer arrumar a mochila procurar uma papelaria, tenho que comprar tintas que meu pai pediu no telefonema que me acordou. preto, azul celúrio, verde inglês (normal e claro) e violeta escuro. não faço ideia de onde tem uma papelaria e tenho que correr pra faculdade pra almoçar, porque o restaurante universitário, vulgo bandejão apelidado carinhosamente de bandeco fecha as duas e são uma e alguma coisa e estou ouvindo a mesma música de ontem a noite e você acabou de me dar um tchau numa dessas redes sociais da vida especificamente o facebook e eu não disse tchau porque eu acho que o tchau é uma palavra muito específica que denota finalização. como se aquele encontro tivesse acabado e na próxima talvez vez que nos virmos um novo encontro começaria. por isso uso até. "até a continuação desse encontro". tenho um medo lapidar de que as coisas acabem se partam terminem sem que se possa fazer nada. fica aquele ar horrível que não se aproveitou tudo. por isso mato aula pra ver o por do sol e por isso espero o sol nascer pra ir dormir. acho que esses momentos são importantes e não deveriam ser perdidos. descobri também que ver o nascer do sol com sono é muito mais gostoso do que acordar pra ver o sol nascer e que a noite deveria ser mais povoada na escuridão. a noite é muito mais aconchegante promissora carinhosa e acolhedora que o dia. mais perigosa e mais promiscua também mas não existem polos totalmente positivos.
e eu ainda estou com todas as conversas que a gente ainda não teve na cabeça e parece que eu sei tanto de você e tanto da gente e na verdade, se alguém me perguntar por acaso, eu não sei nada. só sei que você chegou de repente e saiu bagunçando tudo e cantando Legião Urbana e tendo uma presença ímpar e agora parece que você saiu correndo por todos os cantos, se despedaçando e eu te encontro em todo lugar e se bobiar eu nem sei como escreve o seu nome, mas você me convidou pra ir no museu um dia qualquer e pra mim já está bom demais.
Sinto cheiro de farofa. podia ter farofa no bandeco hoje, ia ser uma alegria. arroz feijão e farofa. para começar uma sexta feira de sol (não sei se está sol de verdade, mas admito que esteja) arroz feijão e farofa é uma combinação mais que agradável. hoje é dia de viajar novamente, pegar o ônibus, dormir ouvindo música... Putz! tenho que colocar música no iphone ipod tablet whatever para escutar durante a viagem e separar os textos que tenho que ler porque tem prova na segunda feira e carregar o celular e ainda tenho que desligar o notebook e colocar tudo isso na mochila e ir comer e ir no centro procurar uma papelaria para comprar as tintas pro meu pai e ainda to aqui sentado pensando em como é bom conversar com você. e a vontade é continuar escrevendo um texto infinito até que apareça na outra aba do Chrome que você me mandou uma mensagem dizendo que tinha voltado e eu espero que você não repare que eu fiquei ansiosamente esperando e nem saí. mas o dia tem que começar e pra isso tenho que me mexer e largar você um pouquinho, porque eu já desconsiderei que você foi embora primeiro e que você disse tchau, que é quase um adeus mas não é tão pesado e que você só vai ficar aqui mais 10 dias que eu sei que não são 10, são quase 20 mas eu sou exagerado e carente e atencioso e tímido e despreocupado e preguiçoso e sorridente e às vezes gosto de me sentir como se tivesse 11 anos de idade e o mundo fosse ainda um lugar fantástico onde a gente não sabe de nada. e sinto pena das pessoas que se esforçam para ser adultas e não conseguem mais intender como é divertido ficar pulando onda, catando conxa, assustando pombo, fazendo castelinho de areia, brincar de boneco de boneca de casinha de cozinha de médico apesar d'eu ter medo de médico... porque o mundo vai tirando da gente essa coisa gostosa que é poder se deixar poder ser criança só um pouquinho porque alguém contou pra gente que a gente ia fazer dezoito anos e ia ser adulto e a gente achava que ser adulto era ter todo o dinheiro do mundo e poder comprar todos os brinquedos e beber aquelas bebidas coloridas corar a cara e falar engraçado igual os adultos fazem. mas ninguém conta pra gente que ser adulto é trabalhar pagar conta morar sozinho se sentir sozinho ver filme ruim na globo de madrugada comendo sorvete e dormir pra acordar cedo pra trabalhar e não ter dinheiro pra nada e não poder sorrir. aí eu penso sobre isso tudo e na verdade tirando a parte de comer sorvete de madrugada eu não quero ser adulto. e acho que ninguém deveria querer ser e a gente poderia ser criança pra sempre e sexta feira ia ser o dia de levar o brinquedo preferido pro trabalho e na quarta a gente ia ter um tempo a mais no horário de almoço pra trocar figurinha do álbum da copa e ninguém ia ter vergonha de assistir desenho ou de não saber fazer alguma coisa e todo mundo ia tentar seu melhor porque o que importa não é conseguir fazer ou não mas é aquela alegria de estar alí, tentando... e dá até pra sentir aquele cheiro de suor de criança, que na verdade eu detesto mas me traz tantas memórias boas da época que eu não precisava pensar em arrumar minha mala.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
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