Compreendo teu medo. Até o respeito, mas o reprovo. Tentas tirar-me toda a solidão como uma máquina tampa garrafas de cerveja.
Não sou a vácuo.
Não consigo suportar o modo como tentas ocupar minha cabeça, como se
não quisesses que eu pensasse. Não consigo suportar sua voz quando força
para dizer algo (teoricamente) engraçado para cortar meus pensamentos. E
me irrita o cheiro da sua diversão.
Sinto teu medo a milhas de você. E não importa o quão boa sejas, vai sufocar-me. Vai, duramente, sufocar-me.
Não vivo à dois
Vou sentir a dor que vais sentir quando me cansar, mas nem vou ligar,
porque vou estar ocupada demais fazendo tudo o que você tentou me
impedir de fazer nesse tempo que passamos juntos. Vivemos bem, sorrimos,
a vida era até boa. Se eu fosse uma pessoa comum, ainda estaríamos
juntas, mas você tinha tanto medo de mim e de minha essência, que tentou
privar-me de mim. Não me acompanha em nada, nos meus pensamentos,
minhas idéias, meu mundo avança e você fica. Mistura fascínio e medo, e
na química gera repressão. E me repreendeu, agora liberto.
Não gosto de festas.
Tirou-me
o silêncio e a calma, fez de tudo para me tirar do tédio, do ócio. Me
fez comer mais, fumar menos, pensar em coisas que eu não havia pensado
antes, como "odeio quando controlas minha vida" ou "por que me cobras
tanto?". Tentou tirar-me o direito de pensar do jeito mais fácil: me
tirando o tempo de fazê-lo. Mas não fico no tédio.
Eu sou o tédio.
terça-feira, 20 de maio de 2014
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