resolvi fazer uma playlist. Ela tem um pouco mais de 6 horas de música. fala sobre relacionamentos em geral. espero que gostem .
NO CLEAR MIND - IMAGINARY YOU
ALBERT HAMMOND JR - BLUE SKIES
ANGUS & JULIA STONE - PAPER PLANES
BLIND PILOT - GO ON, SAY IT
BLIND PILOT - TWO TWONS FROM ME
CÍCERO - PELO INTERFONE
CÍCERO - ENSAIO SOBRE ELA
CÍCERO - AÇÚCAR OU ADOÇANTE
CLEM SNIDE - HUM
CLEM SNIDE - FOREVER NOW AND THEN
CLEM SNIDE - ENCOUNTER AT 3 AM
CLEM SNIDE - FIND LOVE
SHE & HIM - GONNA GET ALONG WITHOUT YOU NOW
SONGS : OHIA - I'VE BEEN RIDING WITH THE GOST
CLEM SNIDE - FORGIVE ME LOVE
SHE & HIM - OVER IT OVER AGAIN
RACHEL GOSWELL - COME RESCUE ME
SONGS: OHIA - GOODNIGHT LOVER
SONGS: OHIA - JUST BE SIMPLE
PASSION PIT - THE REELING
CLEM SNIDE - FAVORITE MUSIC
SONGS: OHIA : LOVE LEAVES ITS ABUSERS
PETER BJORN AND JOHN - 100 M OF HURDLES
RACHEL GOSWELL - SLEEPING & TOOTING
SHE & HIM - YOU REALLY GOTTA HOLD ON ME
CLEM SNIDE - 1989
SONGS: OHIA - DIDN'T IT RAIN
SHE & HIM - BRAND NEW SHOES
PETER BJORN AND JOHN - PEOPLE THEY KNOW
KINGS OF CONVENIENCE - HOMESICK
SHE & HIM - DON'T LOOK BACK
CLEM SNIDE - SWEET MOTHER RUSSIA
WHITEST BOY ALIVE - DON'T GIVE UP
LACROSSE - WE ARE KIDS
TEGAN AND SARA - FREEDOM
JOY DIVISION - NO LOVE LOST
KINGS OF CONVENIENCE - POWER OF NOT KNOWING
TEGAN AND SARA - MORE FOR ME
SHE & HIM - BLACK HOLE
WHITEST BOY ALIVE - GOLDEN CAGE
TEGAN AND SARA - WELCOME HOME
PETER BJORN AND JOHN - I DON'T KNOW WHAT I WANT US TO DO
LAURA PEEK - THE GENERAL
DEVENDRA BANHART - LITTLE MONKEY / STEP IN THE NAME OF LOVE
EDDIE VEDDER - HARD SUN
JOY DIVISION - I REMEMBER NOTHING
LACROSSE - THIS NEW YEAR WILL BE FOR YOU AND ME
TEGAN AND SARA - NOT WITH YOU
LACROSSE - NO MORE LOVESONGS
KINGS OF CONVENIENCE - MISREAD
FOSTER THE PEOPLE - PUMPED UP KICKS
KINGS OF CONVENIENCE - ME IN YOU
LACROSSE - WHO WILL BRING US TOGETHER?
JAY JAY PISTOLET - HAPPY BIRTHDAY YOU
MILES KUROSKY - DOG IN THE BURNING BUILDING
FOSTER THE EOPLE - COLOR ON THE WALLS
FUN - LIGHT A ROMAN CANDLE WITH ME
GODOT - THE FRAGRANCE OF DARK COFEE
NEUTRAL MILK HOTEL 0 THREE PEACHES
FUN - ALL THE PRETTY GIRLS
GET CAPE. WEAR CAPE. FLY - QUEEN FOR A DAY
JAY JAY PISTOLET - CARTWRIGHT GARDENS
MARGOT & THE NUCLEAR SOSO'S - TINY VAMPIRE ROBOTS
MGMT - ELETRIC FEEL
GET CAPE. WEAR CAPE. FLY - THE PLOT
MGMT - TIME TO PRETEND
MIMICKING BIRDS - THE LOOP
KINGS OF CONVENIENCE - SECOND TO NUMB
NEUTRAL MILK HOTEL - SOMEONE IS WAITING
LACROSSE - YOU CAN'T SAY NO FOREVER
MILES KUROSKY - THE WORLD WON'T LAST THE NIGHT
MIMICKING BIRDS - CABIN FEVER
KINGS OF CONVENIENCE - I DON'T KNOW WHAT I CAN SAVE YOU FROM
JAY JAY PISTOLET - DON'T TURN THE LIGHT ON US YET
MARGOT & THE NUCLEAR SOSO'S - EARTH TO ALIENS: WHAT DO YOU WANT ?
LOS CAMPESINOS! - YOU! ME! DANCING!
MILES KUROSKY - HOUSEWIVES AND THEIR KNIVES
MARGOT AND THE NUCLEAR SOSO'S - YOUR LOWER BACK
MGMT - OF MOONS, BIRDS & MONSTERS
KINGS OF CONVENIENCE - BOAT BEHIND
MIMICKING BIRDS - 10%
MGMT - KIDS
JOY DIVISION - SHE IS LOST CONTROL
GUILHERME LAMOUNIER - AMANHÃ NÃO SEI
MARGOT AND THE NUCLEAR SOSO'S - WILL YOU LOVE ME FOREVER ?
HELLO SAFERIDE - GET SICK SOON
JOY DIVISION - LOVE WILL TEAR US APART
JASON MOLINA - EVERYTHING SHOULD TRY AGAIN
LAURA PEEK - VERMONT
JASON MOLINA - LET ME GO, LET ME GO, LET ME GO
GUILHERME LAMOUNIER - SERÁ QUE EU PUS UM GRILO NA SUA CABEÇA
HERMAN DUNE - WHATEVER BURNS THE BEST BABY
HERMAN DUNE - LITTLE WOUNDS
THE SMITHS - IS IT REALLY SO STRANGE ?
THE SMITHS - YOU'VE GOT EVERYTHING NOW
RIO 65 TRIO - PRECISO APRENDER A SER SÓ
RIO 65 TRIO - MEU FRACO É CAFÉ FORTE
CHICO BUARQUE - COM AÇUCAR COM AFETO
LEGIÃO URBANA - METAL CONTRA AS NUVENS
PAPER ROUTE - ENEMY AMONG US
JOHN LENNON - STRAWBERRY FIELDS FOREVER
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
depois de todo esse tempo... de todo esse amor ou falso amor... por pior que tenha sido o resultado... eu sempre fico feliz de estar certo.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
solidão agradável
Como chove. Um calor desgraçado, todos reclamando por todos os lados. Temperaturas altíssimas lá fora e aqui um frio, um vazio... você tá mais longe essa semana, não sei o que foi. Não quis perguntar... Pode ser só eu, sempre uso essa desculpa esperando as coisas melhorarem... Costume. Tô com medo desde que você ficou com ele de novo. Não por ter sido ele, nem por ter acontecido, porque eu sabia que ia acontecer, a gente tinha combinado - relacionamento aberto, lembra ? - é. eu lembro. lembro todo dia. não to te julgando, nem dizendo que está errado. eu entendo seu lado. você acabou de sair de um namoro de 3 anos. Caralho. 3 anos é praticamente o tempo que eu me sinto sozinho. tive uns affairs aí no meio, mas nada que se compare ao namoro de 3~4 anos atrás e nada que se compare ao que estou sentindo agora... e você acabou de sair de algo que era pra ter sido "pra sempre"... olha que bosta. estamos de lados opostos da moeda... eu tô cansado de estar sozinho, estou carente, frágil, com medo. Estou me entregando pela primeira vez em anos e a possibilidade de poder me machucar de novo me deixa inquieto. você está querendo aproveitar. e deve aproveitar mesmo, principalmente quando tem alguém querendo te prender de novo, logo agora que você tá livre. Então vai, voa. Voa o máximo que der... se você sair do meu campo de visão vou ficar esperando pra ver se volta, se não voltar, espero que seja feliz onde pousou, se voltar, que não se arrependa, porque eu não sou perfeito... sou cheio de defeitos... cheio mesmo e posso te machucar sem querer várias vezes e se você não falar eu não vou perceber, então fale... por favor, fale... E fica tranquila no teu vôo. não volta nem se sente mal se olhar pra trás e eu estiver chorando... eu choro mesmo, choro o tempo todo. choro porque tô feliz, choro porque tô triste, choro porque tô lendo e me arde o olho, choro porque tô com sono e escorre lágrima... mas vou sorrir se te ver sorrindo. Posso estar me rasgando por dentro, mas sou um bom perdedor... não prometo amizade caso isso aconteça porque não sou tão bom perdedor, infelizmente. mas não vou me afastar... quer dizer, só por uns tempos e só se te perder... não por birra, só pra me acostumar com a ideia mesmo... mas ainda acho que vai dar certo... é só que você tá meia estranha nos últimos dias... pode ser tpm, não sei seu ciclo ainda... pode ser estresse de início de ano na escola, ansiedade, tédio, calor... pode ser um monte de coisa... pode ser eu também. e essas férias. detesto férias.
domingo, 29 de janeiro de 2012
desetendimentos
algumas vezes eu também não me entendo, então não vou ficar pedindo pra você me entender; Mas que um pouco de certeza seria bom, seria. Como seria. Pelo menos pra saber que todo esse investimento ia estar valendo à pena. Não quero fazer como fiz com todas as outras coisas que tive que deixar sem olhar pra trás, carregando o mais rápido que pudia tudo que conseguia ver que era meu e correndo, antes que começasse a chorar... Porque dessa vez to indo pra bem longe dos braços de mãe e dos amigos e isso pode ser perigoso, talvez bom, mas perigoso. Mas não reclamo. Acho que só de ter vindo até aqui, quer dizer, só de ter levado isso até aqui não por obrigação, mas por vontade. Às vezes tenho medo que algumas partes sejam medo seu de me magoar, espero que não. Porque se for, o medo de me magoar me magoa. Faz com que acredite em coisas que não devia e isso é pior do que desacreditar no que queria. Verdade. Prefiro morrer só sabendo de todas as verdades do que ir descobrindo aos poucos e me matando... Mas não precisa ir embora não, fica por aí... vamos ver no que vai dar. Se eu não tremer de medo e correr você ainda vai me ver bastante.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Eu consigo imaginar seu cabelo passando pra lá e pra cá no meu quarto. Aquele clarão laranja avermelhado indo e vindo junto com a dança perfeita que seu corpo faz andando. Seu riso ecoando pelo quarto abafando momentâneamente a música que vem da sala. Seu peso sobre meu corpo, seu calor, seus olhos brilhando ao olhar pros meus brilhando ao olhar pros seus. Dá pra imaginar você sentada no sofá passando os canais da tevê procurando um bom filme ou algum daqueles programas de decoração ou algum daqueles programas que te ensinam a fazer algo. Você está sempre aprendendo coisas novas. Sempre me ensinando coisas novas. Eu estou sempre lendo. A minha cara enfiada nos livros buscando informações novas. Algumas te interessam outras você não faz ideia do que se trata mas me escuta só pelo prazer de me ouvir falando. Você diz gostar da forma como eu conto as coisas e fico esperando um comentário depois, mesmo que seja só um 'ah sim'. Às vezes acho que você detesta essa minha necessidade de um feedback. Eu detesto. Detesto precisar de uma resposta qualquer, nem que seja um sorriso pra pelo menos ter certeza que você ouviu o que eu disse.
Tem um jornal na mesa. Eu não lembro de ter comprado jornal, você diz que um amigo teve em casa enquanto eu não estava e que ele deve ter esquecido o jornal lá. Você fica olhando pra minha cara encarando o jornal e pensa que eu fiquei com ciúme, volta a frisar 'um amigo' . Eu olho para você e sorrio e digo 'relaxa, eu confio em você. Tem café?' e você diz que não mas que pode fazer e eu agradeço com um aceno de cabeça e um sorriso e pego o jornal por curiosidade e sento no sofá da sala e leio o jornal meio que desatencioso esperando a hora que você vai perguntar como foi meu dia. Você traz o café e a impaciência me mata e eu faço um comentário sobre algo que aconteceu no trabalho. Você faz um comentário rápido meio que cortando o assunto e fala sobre o ataque que a vizinha deu no lobby hoje mais cedo. Eu digo que ela é maluca e por isso vai morrer sozinha, você não diz mais nada sobre o assunto. Eu coloco o jornal na mesa de centro e fico te olhando. Você me olhando de volta. Achei que você estivesse esperando um convite pra sair do seu canto do sofá e deitar na minha perna. Meus olhos fazem o convite, os seus aceitam mas a gente não se mexe. Eu fico te olhando, reparando na blusa que você veste. Percebo que ela não estava cortada assim ontem, comento que gostei, você sorri e diz que achou que eu não repararia. Eu digo que sempre reparo. Mentira, às vezes to tão perdido no meu mundo que se você cortar minhas blusas eu não vou reparar. Você levanta pra levar os copos pra cozinha, eu digo que não precisa, aproveito que você levantou e te puxo pra cima de mim, você solta um gritinho meio assustado e se deixa cair em cima de mim. Eu te dou um beijo no rosto, você inventa que tem que fazer algo para ver se eu te solto, eu digo rindo 'ah, tá bom que vou te soltar sim...' e te abraço mais forte e você sorri fazendo barulho e se aconchega nos meus braços. Nesse momento nem o café, nem o trabalho, nem a vizinha, nem o amigo, nem o jornal, nem o lobby, nem os meus medos do trabalho, nem a curiosidade sobre o que você fez hoje ou a vontade de falar sobre o que fiz hoje, nem o telefone tocando baixo no fundo, nem as contas pra pagar, nem a falta de dinheiro e a fome, nada importa. Nesse momento eu tenho tudo que eu preciso.
'eu te amo'
'eu também te amo'
Tem um jornal na mesa. Eu não lembro de ter comprado jornal, você diz que um amigo teve em casa enquanto eu não estava e que ele deve ter esquecido o jornal lá. Você fica olhando pra minha cara encarando o jornal e pensa que eu fiquei com ciúme, volta a frisar 'um amigo' . Eu olho para você e sorrio e digo 'relaxa, eu confio em você. Tem café?' e você diz que não mas que pode fazer e eu agradeço com um aceno de cabeça e um sorriso e pego o jornal por curiosidade e sento no sofá da sala e leio o jornal meio que desatencioso esperando a hora que você vai perguntar como foi meu dia. Você traz o café e a impaciência me mata e eu faço um comentário sobre algo que aconteceu no trabalho. Você faz um comentário rápido meio que cortando o assunto e fala sobre o ataque que a vizinha deu no lobby hoje mais cedo. Eu digo que ela é maluca e por isso vai morrer sozinha, você não diz mais nada sobre o assunto. Eu coloco o jornal na mesa de centro e fico te olhando. Você me olhando de volta. Achei que você estivesse esperando um convite pra sair do seu canto do sofá e deitar na minha perna. Meus olhos fazem o convite, os seus aceitam mas a gente não se mexe. Eu fico te olhando, reparando na blusa que você veste. Percebo que ela não estava cortada assim ontem, comento que gostei, você sorri e diz que achou que eu não repararia. Eu digo que sempre reparo. Mentira, às vezes to tão perdido no meu mundo que se você cortar minhas blusas eu não vou reparar. Você levanta pra levar os copos pra cozinha, eu digo que não precisa, aproveito que você levantou e te puxo pra cima de mim, você solta um gritinho meio assustado e se deixa cair em cima de mim. Eu te dou um beijo no rosto, você inventa que tem que fazer algo para ver se eu te solto, eu digo rindo 'ah, tá bom que vou te soltar sim...' e te abraço mais forte e você sorri fazendo barulho e se aconchega nos meus braços. Nesse momento nem o café, nem o trabalho, nem a vizinha, nem o amigo, nem o jornal, nem o lobby, nem os meus medos do trabalho, nem a curiosidade sobre o que você fez hoje ou a vontade de falar sobre o que fiz hoje, nem o telefone tocando baixo no fundo, nem as contas pra pagar, nem a falta de dinheiro e a fome, nada importa. Nesse momento eu tenho tudo que eu preciso.
'eu te amo'
'eu também te amo'
Poderia ter sido uma passagem sem querer numa rua, num telefonema pro número errado onde uma voz que eu nunca havia escutado atende o telefone e automáticamente começo a conversar com ela porque quero ouvir mais aquela voz, uma carta enviada pro endereço errado que é respondida naturalmente e inicia um trocar de cartas... poderiam ter sido vários jeitos diferentes. Eu podia ter te encontrado perdida entre as ruas de uma cidade que você nunca havia visitado e você ia me pedir informações que eu não saberia dar e eu ia estar indo para algum compromisso mas ia me interessar por você e mesmo não conhecendo a cidade tão bem assim eu ia te acompanhar pedindo informações e você não ia entender que prazer idiota era aquele de seguir uma estranha pra um lugar que eu também não sabia onde era. Tantas possibilidades...
A gente podia ter se encontrado no metrô lotado, se esbarrando, você derrubando um pouco do meu café no chão, eu exclamando um "caralho", não por ter ficado puto, mas um daqueles palavrões automáticos que quando você percebe já foi, às vezes solto um palavrão automático. Você podia ficar sem graça ou me achar antipático, ou pedir desculpa e aí a gente podia começar a conversar ou eu nem falar nada ou eu me desculpar por ter xingado e dizer que foi automático e você dizer 'tudo bem' e a conversa acabar aqui... tantas possibilidades...
A gente podia nem ter se encontrado. Não haver rua, nem metrô, nem telefone, nem carta, nem restaurante, nem amigos em comum, nem internet.
A gente podia nunca ter trocado uma palavra, nunca ter ouvido a voz um do outro, nunca ter sorrido junto ou chorado junto. A gente podia nunca ter imaginado que o outro existia... realmente, muitas possibilidades.
A gente podia não estar apaixonado. A gente podia ter se falado pouco, ter se evitado um pouco com um misto de medo e falta de vontade de conhecer mais gente... mas a gente tem tanta coisa em comum... Estranho a gente não ter se conhecido antes também. Enfim, a gente se conheceu. A gente se conheceu na internet, no lugar onde tudo pode acontecer e você era só mais uma pessoa desinteressada e eu era só mais uma pessoa desinteressada e de repente eu quis te conhecer mais e você quis me conhecer mais e agora tudo que dá pra fazer pela internet não é suficiente. Preciso de toque, de corpo, de você aqui, ir aí... preciso de mais um texto pra isso.
A gente podia ter se encontrado no metrô lotado, se esbarrando, você derrubando um pouco do meu café no chão, eu exclamando um "caralho", não por ter ficado puto, mas um daqueles palavrões automáticos que quando você percebe já foi, às vezes solto um palavrão automático. Você podia ficar sem graça ou me achar antipático, ou pedir desculpa e aí a gente podia começar a conversar ou eu nem falar nada ou eu me desculpar por ter xingado e dizer que foi automático e você dizer 'tudo bem' e a conversa acabar aqui... tantas possibilidades...
A gente podia nem ter se encontrado. Não haver rua, nem metrô, nem telefone, nem carta, nem restaurante, nem amigos em comum, nem internet.
A gente podia nunca ter trocado uma palavra, nunca ter ouvido a voz um do outro, nunca ter sorrido junto ou chorado junto. A gente podia nunca ter imaginado que o outro existia... realmente, muitas possibilidades.
A gente podia não estar apaixonado. A gente podia ter se falado pouco, ter se evitado um pouco com um misto de medo e falta de vontade de conhecer mais gente... mas a gente tem tanta coisa em comum... Estranho a gente não ter se conhecido antes também. Enfim, a gente se conheceu. A gente se conheceu na internet, no lugar onde tudo pode acontecer e você era só mais uma pessoa desinteressada e eu era só mais uma pessoa desinteressada e de repente eu quis te conhecer mais e você quis me conhecer mais e agora tudo que dá pra fazer pela internet não é suficiente. Preciso de toque, de corpo, de você aqui, ir aí... preciso de mais um texto pra isso.
Se sabes que o lixo do luxo do bruxo que varres neste momento de nada lhe valhe
porque varres absoluto enxuto tão vil e bruto com força tremenda e cautelosa exatidão tal migalha ?
Se sentes, assim como eu sinto que sentes, o peso da vontade de fugir, porque a janela da saída lhe parece tão alcançável aos olhos, mas tão longe as mãos ?
Ó crueldade vívida, deixe-a sair pela janela já que a porta há de ter trancado com mãos rígidas de criado em fúria, que não podendo discontar no seu patrão todo seu ódio, cumpre com nojo seu trabalho, aumentando seu cansaço e sua eficiência, mas nunca seu salário.
Claro ! Lhe digo, que sabes o porque canto. É que pretendo amortecer a alma daquele que sofre com pena, e que com angústia escuta a dor da melodia. Viva como somente os mestres saberiam fazer. Fria e cálida como nunca havia de ter sido. Fervorosa e alucinante. Quase me trazem delírios de febre. Ah! Que infortúnio. Talvez, nesse tempo criado não me sobre tempo para nada. E já havia esquecido de meu propósito aqui.
Ó criado afortunado por trabalhar para tão severo patrão. Ouça meu canto lamurioso, ou lamuriante, ou como queira entender. Mas ouça bem, para que saibas a quem pedir socorro. Para que saibas a hora de fugir e para que seu coração não gele no instante de pular a janela. Escute bem, para que a janela se aproxime de tí. Não só de teus, agora tristes, olhos como também de sua fétida e suja mão, que agora se encontra na cabeça que arde em febre. Ah! Febre. Que toque novamente aquela música que me subiu o fervor. E que se esqueçam todos os servos, pois somos todos servos de um só amo, que é a morte. E para a qual todos nos encaminhamos fervorosos e cantantes. Dançemos a nossa última valsa que hoje esse servo não nos escapa. Mal sabe ele, que as grades daquele janela nunca esfriam. É fogo quente que lhe marca a alma, e em lava se alucina, sem saber o problema que lhe persegue. Que se uma vez foges de teu servo interior, nunca se encontrar pode ser a tua eterna cina.
Toque canção, toque. Toque corações apaixonados. Deixe-nos voar além das almas desvairadas deste mundo. Ah! O esquecimento. Deixe-nos todos no esquecimento. Que nada mais merecemos!
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